• Kat

Om ॐ



Existe uma grande dificuldade geral em meditar por pensar que seria uma transição imediata da agitação mental para o silêncio. Mas entre esses dois estados existe a concentração.

Aprender a reduzir os objetos de atenção é uma habilidade que

traz benefícios tanto para as experiências externas quanto para as internas.

É como estar em uma loja de televisores e todos eles estão ligados.

Cada TV representa um pensamento. Olhamos para uma e depois para outra. Então a que está ao lado acaba interferindo na que estava antes e assim por diante.

Desenvolver progressivamente a capacidade de concentrar-se

é escolher um dos televisores e alí focar. Um foco relaxado. Sem tentar ignorar forçosamente o barulho dos outros aparelhos. Mas estar tão imerso no que você observa que o resto deixa de existir.

Naturalmente algum barulho mais alto, um programa interessante ou uma notícia chocante em outra TV te chama atenção. Esse movimento de olhar para outra tela é nosso pensamento saindo da concentração - da presença - e pulando para outro pensamento.

É quase incontrolável. O segredo está em voltar para a tela que você escolheu concentrar-se e repousar novamente. Provavelmente você se dispersará de novo, e mais uma vez o exercício é gentilmente retornar o foco. Repetindo esse movimento por quantas vezes forem necessárias, enquanto o espaço entre uma distração e outra vai aumentando, gerando um estado de calma e tranquilidade.

Evidentemente oscilamos entre dias mais fáceis para praticar e dias mais desafiadores. Mas vamos nos aprimorando e alongando esse espaço de silêncio entre um pensamento e outro.

Dito isso, entraremos no valiosíssimo assunto que são os mantras, juntamente com o pedido para não interpretarem essa breve pincelada como um total entendimento dessa medicina.

Mantras são vibrações sonoras, em formato de sílabas ou músicas,

que carregam em si energias próprias. Ao entoar esses sons, já presentes no Universo, produzimos determinados efeitos.

Podemos usá-los como ferramenta para concentração, e também irmos além, usufruindo de seus benefícios com muita consciência, absorvendo de alguém capacitado para repassar as pronuncias corretas e suas reverberações.

No momento, vamos focar no Mantra OM como uma prática de Dharana - concentração.

Primeiro, quero que vocês façam uma coisa.

Vamos vocalizar as seguintes sílabas por alguns segundos e sentir no corpo as diferentes vibrações. Faça no volume que preferir, contanto que consiga sentir a vibração.

AAAAAAAAA

EEEEEEEEE

IIIIIIIII

OOOOOOOOO

UUUUUUUUU

Inspira e entoa 1 sílaba.

Inspira e entoa a próxima...

E então, depois de concluir um ciclo dessa maneira, repita a sequência inteira (AEIOU) após uma só inspiração.

Posicione uma mão no peito e a outra no topo da cabeça, e perceba a vibração percorrendo o corpo.

Consegue notar que quando vocalizamos “AAAAA” a vibração pode ser sentida muito mais intensamente no peito, estendendo-se até partes mais baixas do tronco?

Em contrapartida no “UUUUU”, a cabeça vibra muito mais.

Percebe? E o restante das sílabas? Analise onde mais reverbera cada uma delas e responda para si, como uma forma de auto estudo.

A idéia é sentir a vibração que nasce em partes mais baixas e

vai se elevando até o ponto mais alto que você pode sentir.

Essas vibrações são capazes de liberar e ativar canais energéticos.

Então vamos lá, por que o Om?

O Om é o Som Primordial do Universo, é a vibração presente

em absolutamente tudo, até quando não há nada.

Vibrar no Om, usar o nosso aparelho fonador para emitir

essa vibração, é uma ação extremamente simples mas absolutamente capaz de nos conectar com a essência. É como encontrar um velho ente querido e acomodar-se num abraço quentinho.

Você por natureza já conhece o Om.

Entoa-lo é conectar-se.

O Om, representado simbolicamente como na foto acima, vem do alfabeto Devanagari - que dá origem ao Sânscrito - e foi trazido para nosso alfabeto latino como OM (ou AUM).

Portanto, podemos entoar os mantras na busca de suas propriedades harmonizadoras e também como um precipício, como diz Osho.

É um caminho para entrar no abismo do silêncio.

A mente se cansa das palavras,

e o que resta é o silêncio,

a meditação,

o Ser.

Om!




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